Coleção Brasilienses_agosto de 2004

Depois de lançar o projeto Tempo para Cultura, reformar os jardins da Praça Central - projeto original do paisagista Roberto Burle Marx - recuperar e exibir exposição com 90 painéis ilustrativos da vida e obra do artista, o ParkShopping agora está patrocinando o primeiro volume da coleção de livros Brasilienses. O primeiro volume, sobre o poeta Nicolas Behr, tem texto de Carlos Marcelo, ensaio fotográfico de Ricardo B. Labastier, ensaio literário de Graça Ramos e prefácio de Ana Miranda, além de uma seleção de poemas antigos e versos inéditos do poeta. Com o título Eu engoli Brasília, o livro será lançado no dia 10 de agosto, às 19h, na Fnac.

A iniciativa de um shopping patrocinar a edição de um livro é inédita em Brasília. “Queremos contribuir para que os habitantes da cidade conheçam a obra de homens e mulheres que ajudaram a fundar o patrimônio cultural da capital”, justifica Luiz Roberto Lacombe, superintendente do ParkShopping. “É um privilégio para o shopping contribuir para esse resgate da história cultural da cidade. Ainda mais em se tratando de uma pessoa viva e atuante como o Nicolas”, completa Cilene Vieira, gerente de marketing do ParkShopping. Cada um dos volumes da coleção buscará a identidade do homem e sua obra em sua relação com Brasília.
O primeiro Brasiliense é Nicolas Behr, que chegou jovem à capital, em 1974, e assumiu a cidadania brasiliense como poucos. Sua poesia tem como inspiradora a cidade planejada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, embora a identificação do poeta tenha sido sempre maior com a natureza do cerrado e dos habitantes, o céu e o lago, do que com a arquitetura. Entre 1977 e 1980, ninguém se expôs tanto na vida cultural da cidade quanto Nicolas. Chamado pela imprensa de cavaleiro andante da poesia-mimeógrafo, Behr tinha o dom quase paranormal da onipresença e, muitas vezes, sua figura era mais conhecida do que seus poemas.

Em Eu engoli Brasília, estão publicados 50 poemas antigos e 25 poemas inéditos de Nicolas Behr. Os antigos foram escolhidos após cuidadosa análise dos 25 livretos mimeografados, fotocopiados e em off-set, que o poeta lançou ou participou. Todos os poemas inéditos publicados têm como tema a maior musa do poeta, Brasília.

O primeiro volume da série Brasilienses é resultado de dois anos de trabalho. Durante esse período, o jornalista Carlos Marcelo fez oito sessões de entrevistas com Nicolas Behr. Para a confecção do perfil do poeta, foram entrevistados alguns familiares, amigos, críticos de literatura e ex-namoradas de Behr. Alguns desses entrevistados cederam documentos e fotografias que também estão reproduzidos no livro em duas páginas, como se fosse um álbum de lembranças, quase uma fotobiografia. O livro traz ainda uma bibliografia sobre a obra de Nicolas, listando os artigos e reportagens que foram publicadas sobre ele.

Breve perfil dos autores:
1. Formado pela UnB, Carlos Marcelo, 34 anos, é jornalista desde 1994. Foi editor durante cinco anos do caderno de cultura do Correio Braziliense e atualmente é editor-executivo do mesmo jornal.

2. Ana Miranda, que escreve o prefácio, é uma das mais importantes romancistas contemporâneas brasileiras e Francisco Alvim, que escreve a orelha do livro, é diplomata e poeta. Ele teve um de seus poemas publicados no livro Os cem melhores poemas brasileiros do século XX, organizado por Ítalo Moriconi.

3. Ricardo B. Labastier é pernambucano, radicado em Brasília. Repórter fotográfico do Correio Braziliense, desenvolve, em paralelo, trabalho autoral, tendo realizado uma das exposições de maior destaque durante a primeira edição do FOTOARTE, em 2003.

4. Francisco Amaral é autor do revolucionário projeto gráfico do Correio Braziliense. Atualmente, reside em Barcelona onde dirige equipe de redesign de jornais que trabalha em diferentes países, como Portugal, Itália, Rússia, Argentina e Brasil. É também artista plástico, com exposições realizadas em Brasília, São Paulo, Madri e Berlim.

5. Graça Ramos é jornalista, mestre em literatura brasileira (UnB) e doutora em História da Arte pela Universidade de Barcelona. Trabalhou em alguns dos principais jornais e revistas brasileiros. É autora de Ironia à Brasileira, estudo sobre a presença da ironia na poesia de Machado de Assis, Oswald de Andrade e Mario Quintana (editora Paulicéia, 1997).

Poemas inéditos:
“a cidade é isso mesmo que você
está vendo mesmo que você não
esteja vendo nada”
“eixos que se cruzam.
pessoas que não se encontram”
“a superquadra nada mais é
do que a solidão dividida em blocos”
“ninguém comeu Brasília.
como eu”
Contatos:
Nicolas Behr - (61) 9982-0418 / 468-3191
Carlos Marcelo - (61) 9978-3070
Ricardo B. Labastier - (61) 9952-2723
* Temos fotos em alta resolução.



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